• Tomaz Ponce Dentinho

Proximidade no espaço e na cultura



Em 1991 estava em Inglaterra a estudar e tive que preencher o formulário do Censo Demográfico daquele ano. Fiquei espantado com a a pergunta sobre a raça que não existe no Censo português e ainda mais estupefacto com as mais de dez alternativas que se colocavam. Por via de dúvidas perguntei aos meus colegas e amigos ingleses que logo me esclareceram. Branco não és! Agora escolhe o que quiseres. Creio que escolhi branco mas porventura aquilo que os ingleses escolheriam para mim seria árabe, confundindo a minha proveniência mediterrânica e judia com aquela origem também semita.

Grande parte dos países civilizados (que tinham cidades no tempo de Cristo) e abertos ao mundo, têm naturalmente misturas de raças e a questão da raça faz pouco sentido ou não tem a gravidade quem tem nos países tribais do Norte da Europa, que não passaram por uma civilização internacional como a fenícia, cartaginesa grega ou portuguesa.

No entanto são estes países tribais no Norte da Europa que ditam há dois séculos as regras e as moralidades. E daí passam numa geração do apartheid para o multi culturalismo, do racismo para a tolerância. O multi-culturalismo deu o que deu com os guetos de magrebinos nas cidades europeias prontos a serem mobilizados para qualquer guerra santa. A tolerância é a outra face do multi-culturalismo quando essa estratégia tribal começa a rebentar por todo o lado, sobretudo quando arranjamos umas dependências para manter as tribos no seu devido lugar.

A sensatez não está na tolerância mas no objectivo que só pode ser recriar todos os dias a cultura da proximidade com as pessoas e os sítios. E daí é preciso acabar com os bairros sociais, criar um urbanismo integrador com casas de várias dimensões na mesma vizinhança e uma sociedade interactiva pelo trabalho, pelo ensino, pelo desporto e pela festa. O amor faz o resto como aprendemos na Julieta, na Carmencita, na Maria e na Joana e é daí que nascemos todos nós os que não gabem nas tribos que se toleram e odeiam mas não se casam.

É claro que há atitudes racistas e xenófobas mas ficarmos pela tolerância tribal é poucochinho.








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