• Félix Rodrigues

Quando nem no futebol se sabe o que são os Açores

Raramente falo de futebol, não é que não goste, mas é para mim apenas um passatempo, mas há coisas que irritam por serem deturpadas e não haver uma réstea de esforço para tentar entendê-las, a par, de um desconhecimento grave de geografia. Os Açores não são uma ilha: são nove ilhas. Há gente que ainda não percebeu o que já devia ter percebido.

Em declarações à TVI24, esta segunda-feira, Pedro Proença abordou o facto de dois jogos disputados nos Açores terem tido tratamentos diferentes. Sim, tiveram, e por razões muito válidas. Foram disputados em ilhas diferentes dos Açores e não na ilha dos Açores.

Diz ele que "O Fontainhas-Estrela da Amadora do Campeonato de Portugal teve nas bancadas 200 adeptos, com máscara e distanciamento social, mas por outro lado o Santa Clara-Marítimo da I Liga foi jogado à porta fechada.". O clube chama-se Fontinhas e não Fontainhas. O jogo decorreu na ilha Terceira (porção de terra rodeada por mar a mais de 180 km de outra porção de terra rodeada por mar que se chama São Miguel).

Continua dizendo que "Aquilo que se passou este fim de semana nos Açores é absolutamente inacreditável. Tivemos um campeonato de competições não-profissionais onde foi dado acesso ao público e, na mesma ilha, o Santa Clara não pode ter público nas competições profissionais. Isto só poderá ter sido um lapso. Alguém de bom senso não pode aceitar isto", referiu Pedro Pronça, presidente da Liga de Clubes, que explicou qual o projeto apresentado ao governo para o regresso do público aos estádio de futebol.

O Santa Clara jogou na ilha de São Miguel, que fica a 183 km da ilha Terceira, com muito mar pelo meio.

As regras em vigor são definidas pelas autoridades de saúde e há grandes diferenças entre jogos da primeira liga e do Campeonato de Portugal.

Se nos centrarmos em questões epidemiológicas, na Ilha Terceira existem 8 casos ativos e na ilha de São Miguel 40 casos ativos. Se só tivessemos em conta esses números, isso seria suficiente para se perceber que as duas ilhas são muito diferentes epidemiologicamente e numa pode-se permitir assistência e noutra condicioná-la. Mas de facto poderia ter havido público em ambos os jogos.

Se no jogo Fontinhas-Estrela da Amadora houvesse um caso positivo, o mais provável é que fosse um jogador do Estrela da Amadora (a infeção na região de Lisboa e Vale do Tejo não tem comparação com outra região do país) e não de alguém que estivesse na bancada.

Ora em São Miguel, o Santa Clara jogou com o Marítimo, e as regras nacionais para a I liga aplicam-se até se alterarem. Até mesmo aí, a probabilidade de um jogador estar infetado é muito superior ao de qualquer pessoa que estivesse na bancada.

O que Pedro Proença diz revela um desconhecimento básico de geografia, de grupos de futebol que não são da Primeira Liga, da realidade epidemiológia das ilhas dos Açores e das regras da DGS.




Félix Rodrigues

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