• Félix Rodrigues

Quando os corações desembarcam nos Açores trazidos pela corrente do Golfo

Hoje apareceu um delicado coração-do-mar na Praia Formosa, na ilha de Santa Maria. É uma semente - com 6 cm de diâmetro e 2 cm de espessura - originária da América do Sul, América Central, Caraíbas e África Central.

Estas sementes também são conhecidas como castanhas-do-mar e dão frequentemente à costa nos Açores. São dissemínulos ou unidades de dispersão dormentes da espécie 𝘌𝘯𝘵𝘢𝘥𝘢 𝘨𝘪𝘨𝘢𝘴 (uma liana lenhosa de grandes dimensões), sendo capazes de flutuar com viabilidade durante vários anos, desde os rios - onde tombam esperançosas - até à vastidão imensa dos oceanos, deambulando ao sabor das correntes oceânicas (hidrocoria), como é o exemplo da Corrente do Golfo.

Todavia, de acordo com vários botânicos (e.g. C. Tavares, 1957), os Açores não reúnem as condições ambientais ou climáticas propícias para a germinação e desenvolvimento das sementes desta espécie. Considerando que se trata da leguminosa com as maiores vagens do mundo (cerca de 1 metro de comprimento), é caso para dizer que o tamanho não é tudo e que se torna imprescindível a ocorrência de concordância entre a natureza/capacidade do embrião e o solo a conquistar para que a germinação aconteça.

Desprovidas de qualquer interesse económico, estas sementes são utilizadas frequentemente como adereços ornamentais, sejam gargantilhas ou broches leguminosos deslumbrantes. Muito bonitos e vistosos, estes ornatos violeta não passam, porém, de leguminárias inviáveis em solo açoriano.



Texto adaptado de Pedro Roque. Fotografia do mesmo autor.

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