• Tomaz Ponce Dentinho

Reagimos à pandemia alargando horizontes inclusivé para a confeção de máscaras.

Entrevista com Catarina Mendes, designer de moda, Jaleta Atelier


O que é que mudou na atividade do Jaleta Atelier pós COVID-19?

O Jaleta Atelier tem cerca de dois anos de atividade, razão pela qual neste momento já nos é possível fazer uma análise comparativa em relação aquilo que tem sido a nossa produção por esta altura do ano. O verão em particular é uma época favorável à confeção de roupa, pois aqui na Ilha Terceira são muitos os eventos, inclusivé casamentos e outras cerimónias, festividades que as pessoas nos procuram muito para produzir as suas roupas de raiz. A pandemia por COVID-19 obrigou ao cancelamento e adiamento deste tipo de eventos e cerimónias que estavam agendadas para este ano, o que acabou por afetar em muito a nossa atividade, pois deixou de ser necessária a confeção deste tipo de roupas e artigos.

Com o corona vírus sentiram necessidade de adaptar o negócio à nova realidade?

Sim, sem dúvida. Esta pandemia serviu em muito para alargarmos horizontes e estendermos a nossa atividade para outras áreas, inclusivé para a confeção de máscaras. Tivemos de nos adaptar, por exemplo em vez da confeção de vestidos para as marchas das Sanjoaninas 2020, que também costuma ser uma das festividades que nos dá maior fluxo de trabalho, fizemos máscaras. Por norma no verão a maioria do trabalho é a confeção de raiz como já referi, mas este ano a maioria vão ser arranjos. Tivemos também de adaptar o nosso método de atender os clientes, pois agora é feita uma desinfeção antes e após o atendimento de cada cliente.


Quantas máscaras já produziram desde o início da pandemia nos Açores?

Desde o início da pandemia nos Açores, ou seja, meados de março que sentimos a necessidade de começar a produzir máscaras. As nossas clientes que tinham as suas roupas e artigos cá na loja deixaram de frequentar o nosso establecimento pelo medo que tinham de contrair o vírus e como forma de as captarmos para cá e desta forma fazermos algum dinheiro, começamos a produzir as máscaras de proteção conforme aquilo que eram as normas de seguranças para a produção deste tipo de artigo. Até à data já produzimos mais de 2500 máscaras e a confeção continua.


Sentiram diferença no volume de produção e faturação pós COVID-19?

Sim sentimos principalmente na confeção, até porque todos os serviços de confeção que tínhamos para casamentos e festas foram adiados para o próximo ano o que só aií representa uma quebra grande no serviço, na ordem de mais de 50%. No entanto, as pessoas na quarentena dedicaram-se mais à casa e deram conta de coisas que precisavam de arranjo, como por exemplo fazer as bainhas de umas cortinas novas para a casa que estavam esquecidas e que agora começam a trazer para arranjarmos. Apesar deste tipo de serviços não gerar grandes volumes financeiros, tem sido uma grande ajuda para aumentar o nosso fluxo de faturação nesta altura de grande incerteza.


Que dificuldades enfrentam atualmente com a pandemia?

Atualmente já com alguns serviços mas o volume de trabalho diminuiu consideravelmente e esta é a maior dificuldade e incerteza.


Com o surgimento de uma segunda vaga nos Açores, inclusive na Terceira, sentem que reúnem condições para manter a atividade e o atelier aberto ao público?

Sim, sem dúvida. No início quando começaram a surgir os primeiros casos de COVID-19 aqui na Terceira era tudo novo para nós e naturalmente, desconhecido. Atualmente e passados cerca de quatro meses desta pandemia, penso que não só nós, como todos os profissionais de vários setores de atividade, já sentem mais confiança e segurança em manter os estabelecimentos e serviços abertos ao público. Penso que temos de encarar esta pandemia como algo natural, sempre com as devidas precauções, pois enquanto não houver uma vacina temos de “aprender” a viver com o vírus e adaptar os nossos serviços a esta fase que estamos a passar sempre com a maior segurança possível.


Entrevista: ACDA

Foto: Samuel Fagundes

18 visualizações
acda_cubo.png

Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores
Canada de Belém

TERINOV - Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira - Sala B4

9700-702 Terra Chã, Angra do Heroísmo

NEWSLETTER

  • White Facebook Icon
  • White LinkedIn Icon
  • White Twitter Icon

© Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores