• Félix Rodrigues

Será cabala? 56 mortes e 6640 novos casos de infeção no país

Já há algum tempo que não comento os dados epidemiológicos portugueses porque entendi que tais comentários, alguns deles com previsões, de nada serviriam. Muito antes do crescimento exponencial da epidemia em Portugal, a que estamos a assistir neste momento, tentava alertar para este grave problema. Nada foi atendido e não é porque os comentários sejam lidos apenas por gente desconhecida. Conheço muitas pessoas que os leem, mas certamente os classificaram como alarmistas, o que também não me surpreende.

Entramos no descontrolo e assiste-se a uma gestão da pandemia como quem gere um incêndio, à espera que o vento mude de direção para que de feição se lhe faça frente. Institucionalmente e politicamente erramos, mas o maior erro é da população porque são as pessoas que se infetam e não governos ou autarquias que as andam a infetar.

Por que nos infetamos e nos matamos desse modo pessoas? Porque muitos de nós não pensa nos outros. Porque muitos de nós não sabem avaliar o risco. Porque muitos de nós engolem mais facilmente teorias da conspiração do que informações científicas. Temos que mudar. Se relativamente à pandemia não temos nada de útil para dizer, estar calado nas redes sociais pode ser uma ajuda.

Não podemos continuar a ter como hoje 56 óbitos e 6640 casos de infeção. Os cinco mil e tal casos da última terça-feira, como referi na altura, é resultado de uma tendência e não de uma atualização. A tendência é o crescimento exponencial, como números que se acumulam ligeiramente à segunda e terça-feira porque os laboratórios param, bem como, as “contabilidades oficiais”. Continuamos, desde a primeira vaga, a gerir a pandemia com uma lógica de horário de funcionário público.

Seria bom que todos nós dessemos o nosso melhor porque a pandemia vai continuar a crescer em Portugal e os impactos serão negativos para todos nós. Não interessa se acreditamos em cabalas ou não. Quem acredita em cabalas diga então o que é que pretende fazer para diminuir a pressão sobre o Sistema Nacional de Saúde? Quem não acredita em cabalas, que responda à mesma questão.

Só há um processo no combate à pandemia e chama-se ciência (a ciência nao quer ter razão, quer apenas estar certa). A ciência é algo que resiste a toda e qualquer opinião. Constroi-se com quedas sucessivas, mas cada vez que se levanta está mais forte.

A ciência dizia que as mascaras poderiam não ser uma proteção. Sim, poderíam não ser porque a dimensão do vírus é muito pequena. Ajustou-se à realidade quando vários estudos vieram explicar como é que o vírus se propagava no ar e como era importante diminuir o seu alcance. Percebeu-se que uma pessoa a usar máscara não serve de muito, mas toda a gente a usar máscara é muito eficaz. Assim, a máscara não é propriamente uma proteção pessoal é uma proteção social, mas para todos estarmos protegidos, todos temos que usar máscara.

Quando alguém não usa máscara, quando o devia fazer, não é uma desvalorização do seu risco de infeção, é, um desrespeito aos outros.


Félix Rodrigues

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