• Tomaz Ponce Dentinho

Sobre o medo e a morte

Maria J Vilaça - 5 de novembro de 2020

Um dos principais problemas que nos tem vindo a consumir e a criar ansiedade é o medo. Muito concretamente agora por causa do COVID. É impossível não sofrer os efeitos de sermos continuamente inundados com notícias alarmantes sobre os números crescentes de infetados e mortos, o estado de pré rutura em que estão os serviços de saúde e a clara constatação de que ninguém sabe muito bem o que fazer, Rapidamente nos deixamos também “infetar” pelo medo e por uma inquietação permanente.

Nestes meses também se tem falado muito sobre a Eutanásia. O pedido para se fazer um referendo sobre este tema foi rejeitado e agora segue-se uma fase em que um projeto lei será aprovado e a Eutanásia passará a ser legal em Portugal.

Parece um paradoxo. Por um lado, o medo de morrer, o medo bem visível porque cada vez que morre alguém, é com a nossa morte que nos temos e confrontar. Por outro lado, este desejo de tornar a morte “legal”.

Na verdade, trata-se de uma pretensão que o homem tem de controlar a vida e a morte. Em última análise, a possibilidade de decidir quando queremos morrer, dá-nos a falsa sensação de que é algo que podemos controlar. E se fosse verdade, o medo deixaria de ter lugar.

Mas não é isso que acontece. A morte e o sofrimento fazem parte da vida e só há uma forma de abraçar esta verdade sem medo. É dando um sentido à nossa vida. O sentido encontra-se na dedicação e no amor colocado em cada momento e em cada tarefa que nos é dada. Pode ser simplesmente o mais humilde dos homens que desempenha a sua tarefa na vida como uma missão ou uma vocação. É o dar-se por inteiro que traz a realização plena da pessoa. O estar aberto aos outros em vez de se defender como se o mundo fosse uma ameaça. É o cuidar com compaixão de quem sofre em vez de esconder a morte.

É por isto que vamos ao psicólogo. Para agarrar aquela mão que nos dá a segurança suficiente para podermos fazer o caminho de auto transcendência que nos leva a encontrar um sentido para a vida.

E quando há um sentido, quando sei o meu destino, o sofrimento torna-se uma possibilidade e a morte uma passagem.

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