• Félix Rodrigues

Temos muito mais óbitos que os oficiais e infectados do que dizem

Mais 13 mortes por Covid-19 em Portugal com uma aparente redução do número de casos de infeção (apenas 734) o que é pouco se comparado com ontem. Temos um "delay" da mortalidade e um "delay" de análises que nalguns locais do país só se realizam às segundas, quartas e sextas, ou seja três vezes por semana, com esperas pelos resultados de mais do que 48 horas. Esse procedimento não é adequado a uma pandemia e é insalubre.

Uma parte crucial do esforço global para conter a propagação da pandemia é o desenvolvimento de testes que podem identificar rapidamente infeções em pessoas que ainda não são sintomáticas. Avancemos para os testes rápidos e para a rapidez de resultados. Os laboratórios não podem funcionar nestes casos 3 dias por semana, cada hora que passa é mais gente que pode ficar infetada.

Investigadores da Caltech inventaram um sistema tecnológico de testes rápidos que é substancialmente melhor do que tecnologias de teste COVID estabelecidas que geralmente levam horas ou até dias para produzir resultados. Essas tecnologias também exigem equipamentos caros e complicados, enquanto o sistema de Gao da Caltech é simples e compacto.

Esse dispositivo foi testado apenas em laboratório com um pequeno número de amostras de sangue e saliva obtidas para fins de pesquisa médica de indivíduos que tiveram resultado positivo ou negativo para a COVID-19. Embora os resultados preliminares indiquem que o sensor é altamente preciso, um teste em larga escala com pacientes do mundo real, em vez de amostras de laboratório, tem de ser realizado para determinar definitivamente sua precisão. Como isso não é uma vacina, e funciona quase como um termómetro, é extremamente eficaz para monitorizar os tempos em que vivemos.

13 mortes por dia, é inadmissível. Já estamos com 79885 infetados, qualquer dia ultrapassamos os valores da China e não conseguiremos nunca imunidade de grupo sem muitos milhares de mortes e com sistemas de saúde entupidos. Estamos com 2018 mortes por Covid-19, o que faz com que a taxa de letalidade no nosso país seja de 2,5%, mas se contarmos com o excesso de mortalidade no período da pandemia, esta, direta e indiretamente teria uma taxa de letalidade de 9,1%, o que é extremamente preocupante. Claro que esses 9,1% estão enviesados, mesmo que o excesso de mortalidade em Portugal fosse explicado direta ou indiretamente pela pandemia porque há mais infetados “reais” do que infetados “oficiais”. Se considerarmos haver 5 vezes mais infetados em Portugal do que o número oficial, e que o excesso de mortalidade verificada no país se deve mesmo à Covid-19, então teríamos uma letalidade de cerca de 2%, ligeiramente mais baixa do que aquela que os óbitos oficiais e infetados oficiais produzem. É bom pensarmos nesses números e também em associarmo-nos de algum modo à produção do sistema rápido de deteção da Caltech.



Félix Rodrigues

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