• Tomaz Ponce Dentinho

Turismo, prostituição ou redenção do espaço

O Covid-19 tem tido mais impacto nas ilhas com mais turismo como São Miguel e o mesmo está a acontecer por esse mundo fora nos locais mais vocacionados para o turismo. Esperemos que para o ano seja melhor e com mais sabedoria. Ou seja que aprendamos que os hotéis e alojamentos devem estar à escala e perto dos núcleos populacionais onde se instalam. A não ser que não aprendemos que Estalagens na Serreta e Hotéis na Serretinha, Sete Cidades ou Água de Alto e outros estão condenados ao insucesso.


Mas aprendemos mais, recentemente. Primeiro, que em cada país são poucos os lugares com vocação turística clara, suficientemente forte para servir de motor de crescimento dessas regiões. No nosso país, se calcularmos o número de turistas por população, apenas têm vocação turística clara o Algarve e a Costa Alentejana, Lisboa, Porto, Fátima, Nazaré, Óbidos, Gerês, Funchal, São Miguel e Porto Santo. Talvez o Pinhão no Douro possa vir a ser mas para muitos outros sítios o turismo parecer estimular o desvio de fundos de outros investimentos mais produtivos. Podemos ter visitantes em todo o lado mas apenas os sítios que assumem a vocação que lhes é requerida pela procura podem "prostituir-se para fora" tentando redimir-se com estratégias sustentáveis.



Ou seja, quando Ponta Delgada, e mais concretamente a zona entre a Matriz e o Pópulo, assumirem claramente a vocação turística, essa vocação será necessariamente de Turismo de massas (já é) se desejarem que promova o desenvolvimento sustentável. Isto porque todos os turismos ditos da natureza são potencialmente mais nefastos para a sociedade e para o ambiente do que o turismo urbano de massa. Aprendi isso há anos com os espanhóis e nunca tive evidências do contrário; aliás é por isso que a sabedoria das ilhas fecham alguns restaurantes quando chegam os "invasores" de São Miguel ou da Terceira. "Essa gente só desestabiliza por uns dias e não temos que nos equipar para todo o ano só para os servir uns dias."


A questão é saber a capacidade de carga do turismo de massa e fazer subir a qualidade e o preço para controlar o fluxo e evoluir da prostituição dos espaços para a sua redenção. É a receita do turismo que permite isso, nos centros urbanos e, à sua escala, nos centros das freguesias. E, nesses pequenos guetos até podem estar em cada dias tantos turistas como residentes, como acontece em Albufeira ou Vila do Bispo, porque os primeiros estão a ser servidos pelos segundos. Felizmente outras terras têm outras vocações e também alguns visitantes tão ou mais interessantes do que os turistas; mas isso não muda em nada as suas vidas.


PS: É nisto que tenho estado a trabalhar por estes dias. Para dar alguma coisa em troca a quem me convidou para ir ao Japão em Setembro no ano passado, perto da cidade católica de Nagasaki.

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