• Félix Rodrigues

Uma infecção com um comportamento semanal estranho, mas há coisas piores no Líbano

Temos hoje 213 novos casos de infeção em Portugal, um número que é 27,5% superior aos infetados de ontem. É muito estranho que a infeção aumente ao longo da semana no país e que se reduza aos fins de semana. Mesmo assim, os números diários estão a baixar ligeiramente. Ultrapassamos hoje a marca dos 52 000 infetados no país. No que se refere à letalidade ela tem-se comportado, numa relação estreita, com o número de infetados. Hoje são mais 3 óbitos por Covid-19, o que totaliza 1743 mortes por infeção de SARS-CoV-2.

No mundo a infeção não parece estar a abrandar.

Brevemente o mundo ultrapassará os 19 milhões de infetados por SARS-CoV-2 e já ultrapassou a marca das 700 mil mortes. Os Estados Unidos brevemente atingirão os 5 milhões de infetados, o Brasil, os 3 milhões, e a Índia, os 2 milhões. A infeção a nível mundial não está a parar o que significa que o risco em qualquer local do mundo tende a aumentar.

A Guatemala já passou à frente de Portugal em número de óbitos e infetados, e somos perseguidos pela Polónia, Honduras e Nigéria. A Polónia está no que parece ser uma segunda vaga, continuidade da primeira, mas mais acelerada. As Honduras, com 9,59 milhões de habitantes, está com 45098 infetados e 1423 óbitos, ou seja com uma taxa de letalidade de 3.15%, ligeiramente inferior à taxa de letalidade portuguesa (3,36%). A Nigéria, com 195,9 milhões de habitantes, tem 44890 infetados e 927 óbitos, com uma taxa de letalidade de 2,06%, também inferior à letalidade portuguesa. Essas taxas de letalidade mais baixas podem ser explicadas pela maior juventude da população desses países quando comparada com a envelhecida população portuguesa. Brevemente esses três países passarão à frente de Portugal em termos de número de infetados.

Todos os riscos são relativos e as calamidades também. A tragédia em Beirute (Líbano) em nada pode ser comparada com a Covid-19 nesse país. Nada se compara aos milhares de feridos e pelo menos 135 mortes na explosão no porto de Beirute. O Líbano tem neste momento 5417 infetados e 68 mortes por Covid-19. Em meia dúzia de segundos a tragédia abateu-se sobre Beirute, mas se essas mortes e esses feridos fossem equivalentes a infeção e mortes por Covid-19 “nada de especial” teria acontecido, porque não resulta em “brutalidade”. Os riscos são sempre seriados em importância e o que é facto, é que a SARS-CoV-2 no Líbano não é nada, neste momento, comparado com a emergência do acidente. O Líbano precisa de ajuda internacional.



Félix Rodrigues

97 visualizações
acda_cubo.png

Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores
Canada de Belém

TERINOV - Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira - Sala B4

9700-702 Terra Chã, Angra do Heroísmo

NEWSLETTER

  • White Facebook Icon
  • White LinkedIn Icon
  • White Twitter Icon

© Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores