• Tomaz Ponce Dentinho

Vantagens para a Procura e para a Oferta de Transporte - José Luís Parreira

A figura que acompanha este artigo apresenta o esboço das curvas da procura e da oferta para duas situações distintas.



Na figura da esquerda, considera-se o mercado a funcionar com uma companhia a operar no Corvo, por exemplo. No ponto de equilíbrio, os consumidores ganhariam o correspondente à área azul, enquanto a empresa ganharia o correspondente à área vermelha. Ambos ficam a ganhar, pois a economia não tem de ser um jogo de soma nula. Neste caso, o dinheiro ganho pela companhia ficaria na ilha para pagar os pilotos e mecânicos radicados nela e ainda ser investido no futuro da empresa. Ou seja, todo o dinheiro fica no Corvo.

Na figura da direita, considera-se que o mesmo serviço é prestado pela SATA, sem liberalização para proteger a nossa companhia pública de concorrer com outras. Supõe-se ainda que são escolhidas as melhores pessoas para a sua gestão e que esta servirá exclusivamente o interesse público, sem fins lucrativos. Desse modo, seria possível diminuir os preços praticados pois a empresa ganharia o suficiente para se manter funcional. Consequentemente, o ganho para os consumidores seria maior, comparativamente com a primeira solução. Todavia, o dinheiro ganho pela SATA iria pagar salários de funcionários residentes em S. Miguel, que por sua vez têm família e geram mais economia lá. Ou seja, é dinheiro transferido diretamente da Ilha do Corvo para Ponta Delgada. Além disso, esta solução é impossível, como se percebe pelos anos de má gestão da companhia.

Portugal é um dos países mais centralistas da Europa, segundo um estudo da Universidade do Minho que concluiu que há uma elevada concentração de compras do estado na capital. Ora, a situação na região não é muito diferente. No modelo de planeamento central, onde estiver o poder político, estará também o poder económico. É assim que regiões inteiras e ilhas são “delapidadas” da sua riqueza e, mais importante, das suas gentes. Primeiro, o estado recolhe impostos por todo o país através da autoridade fiscal. Segundo, o dinheiro é distribuído segundo a vontade arbitrária dos decisores, passando por toda uma hierarquia de burocratas e teias de interesses. Pelo contrário, num mercado livre concorrencial, onde houver procura haverá oferta. Em concorrência, os privados irão lutar uns com os outros pelos seus interesses. Nesse processo, terão de praticar preços mais baixos para ganharem clientes ou negócios, acabando por beneficiar todos.

Por isso, sempre que possível, deve-se implementar a livre concorrência, com empresas privadas a competir nas rotas mais lucrativas, ou a concorrerem pela concessão das rotas menos lucrativas, onde importa garantir o serviço público. Ao retirarmos o estado do jogo económico e dos negócios privados (como a banca) estamos a evitar o risco de perder milhões de euros dos contribuintes. São tantos milhões que até se perde a conta. No caso da SATA, o prejuízo é de centenas de euros por açoriano.

Em suma, reduzir o tamanho do estado significa poupar recursos que permitirão baixar impostos e deixar as famílias e empresas alocar capital onde se inserem.

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