• Tomaz Ponce Dentinho

Verão trabalhoso para políticos

Em 30 de Junho fizemos um questionário sem controle da amostra sobre o sentido de voto dos açorianos nas eleições de outubro e intuímos que o voto no governo é menos certo que o voto na oposição porque quem tinha votado no governo em 2016 tinha menos certeza de manter o seu voto do que quem tinha votado na oposição.

No questionário enviado em 13 de junho para esta análise controlámos a amostra de forma a que os resultados da amostra relativos às eleições de 2016 fossem semelhantes aos resultados finais dessas eleições. Estamos ainda a trabalhar numa amostra maior e com uma distribuição equilibrada por ilha. No entanto, enquanto não conseguimos essa amostra mais representativa, julgamos possível avançar um pouco mais não só no conhecimento sobre o sentido de voto dos açorianos a 15 de julho de 2020, mas também como é que o sentido de voto irá evoluindo atendendo a que 35% dos questionados desta segunda sondagem ainda não decidiram. Como vemos no Gráfico 1, 5% dos inquiridos abster-se-ão, 2% votarão nulo ou branco, 58% votarão nos partidos e 35% ainda não sabe onde vai votar em outubro.


No Gráfico 2 apresentamos a votação dos questionados nas eleições de 2016 com pequenas ponderações para que o resultado da amostra seja semelhante ao da votação efetiva verificada em 2016. Lembramos assim que no conjunto dos votos expressos nos Açores nas eleições de 2016 o PS teve 46%, o PSD 31%, o CDS 7%, o BE 4%, a CDU 3% e os restantes partidos cerca de 8%.


De acordo com a presente sondagem para as eleições de 2020, descontando os 35% de indecisos, o PS terá 48%, o PSD 33%, o CDS 4%, o BE 2%, a CDU 3%, o Chega 4% e os restantes partidos cerca de 6%.


A Tabela abaixo apresenta uma ideia das transferências de votos. Com exceção da CDU e naturalmente do Chega que não existia em 2016, todos os outros partidos têm votantes indecisos designadamente os votantes do CDS, do PAN, do PPM e do Livre. Curiosamente, com a nossa amostra, o novo partido - Chega - recebe 4% de intenções de voto provenientes do BE e do PSD. Finalmente o PSD e o PS têm a fidelização de 75% dos seus eleitores.


Neste momento parece que o CDS, o Chega e o Bloco de Esquerda têm muito para trabalhar na constituição das suas listas para conseguirem evitar fugas e reforçar votações. Quanto ao PSD ou se apresenta claramente como oposição, com um programa alternativo ao do governo, ou corre o risco de que muitos indecisos ou se abstenham ou votem no governo. Na verdade, não parece que os partidos mais dos extremos, sejam eles do Chega ou do Bloco, consigam cativar o eleitorado de forma sustentável. Apesar da tormenta que se avizinha com a crise e com a dívida, o que o povo quer é um governo estável liderado pelo PS ou pelo PSD.

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