• Tomaz Ponce Dentinho

Vimeiro, 21 de Agosto de 1808. Relatos de Artur Wellesley

Quarto Boletim

"O inimigo atacou o exército sob o comando do Tenente-General A. Wellesley, na posição do Vimeiro, nas primeiras horas da manhã.

A aldeia do Vimeiro situa-se num vale, através do qual corre o rio Maceira, na parte de trás e no lado oeste e norte desta aldeia está uma montanha, cuja parte oeste acaba no mar, e a parte leste é separada por uma profunda ravina, em cima da qual passa a estrada que vai para a Lourinhã e a norte para o Vimeiro.

A maior parte da infantaria, a 1ª, 2ª, 3ª 4ª 5ª e 8ª brigadas foram colocadas nestas montanhas com oito peças de artilharia, a brigado do Major-General Hill à direita e a do Major-General Ferguson à esquerda, estando um batalhão numa colina separado da montanha. A este e oeste da aldeia está um moinho, que se encontra totalmente controlado, particularmente à direita, pelas montanhas a oeste da aldeia, e a comandar todo o terreno nos arredores a sul e a este, no qual foi colocado o Brigadeiro-General Fane, com os seus carabineiros e o 50º Regimento, e o Brigadeiro-General Anstruther com a sua brigada, metade de uma brigada de canhões de calibre seis e metade de uma brigada de canhões de calibre nove, a quem tinha sido ordenado que se estabelecessem nessa posição no decorrer da noite passada. O terreno por onde passa a estradauqe vem da Lourinhã era comandado à esquerda por uma elevação que ainda não tinha sido ocupada a não ser por um piquete., uma vez que o acampamento tinha sido montado apenas para uma noite e não havia água.

A cavalaria e a reserva da artilharia estavam no vale, entre os montes onde se encontrava a infantaria, ambos a flanquear e apoiar a guarda avançada od Brigadeiro-General Fane.

O inimigo (a vermelho) surgiu pela primeira vez por volta das oito da manhã, em grandes grupos de cavalaria, à nossa esquerda, do alto da estrada para a Lourinhã, e em breve se tornou óbvio que o ataque iria ser contra a nossa guarda avançada e à esquerdada nossa posição; a brigada do Major-General Ferguson movimentou-se rapidamente para o outro lado da ravina para o alto da estrada para a Lourinhã, com três canhões, ele foi sucessivamente seguido pelo Brigadeiro-General Nightingale, com a sua brigada e três canhões; o Brigadeiro-General Ackland e a sua brigada; e o Brigadeiro-General Bowes com a sua brigada. Estas tropas formaram-se nesse planalto, tendoà sua retaguarda o vale que vai para o Vimeiro; e à sua esquerda estava a outra ravina, que separa este planalto da cordilheira que termina no local de desembarque, na Maceira. Neste último planalto, foram postadas as tropas portuguesas que antes tinam estado no vale perto do Vimeiro, e estas eram apoiadas pela brigada do Brigadeiro-General Craufurd.

As tropas da guarda avançada no planalto a sul e a este da aldeia eram supostamente suficientes para a sua defesa, e o Major-General Hill foi movimentado para o centro das montanhas, onde tinha sido colocado grande parte do corpo de infantaria para apoiar estas tropas e como reserva de todo o exército; para além deste apoio estas tropas também tinham a função de cavalaria na retaguarda da ala direita.

O ataque do inimigo começou em várias colunas sobre todas as tropas no planalto, avançaram pela esquerda, apesar dos disparos dos carabineiros, perto do 50º Regimento, e foram detidas e afastadas apenas pelas baionetas desse corpo. O 2º Batalhão, o 43º Regimento, estava também da mesma forma muito envolvido no combate com elas na estrada que leva ao Vimeiro, tinha sido ordenado a uma parte deste corpo que fosse para a frente da igreja a fim de evitar que entrassem na aldeia. No lado direito foram afastadas pelas baionetas do 92º Regimento, corpo de combate que foi muito bem apoiado pelo 2º Batalhão e pelo 52º que, através de uma coluna mais avançada atacou o inimigo pelo flanco.

Para além desta oposição, que se devia ao ataque do inimigo à sua guarda avançada usando o seu próprio esforço, eles foram atacados de flanco pela brigada do Brigadeiro-General Ackland, no seu avanço para tomar uma posição no lado esquerdo do planalto, e por um contínuo disparo de armas de fogo que se mantinha sobre os flancos das colunas inimigas, pela artilharia que se encontrava nos locais mais altos.

Após algum tempo depois de uma disputa renhida, o inimigo foi obrigado a recuar em confusão por este ataque e perdeu sete canhões, houve muito prisioneiros e um grande número de oficiais e soldados mortos ou feridos. Ele foi perseguido por um destacamento do 20º de soldados de cavalaria ligeira mas a cavalaria do inimigo era em tão grande número que este destacamento sofreu muito e infelizmente o Tenente-Coronel Taylor foi morto.

Quase ao mesmo tempo, o ataque do inimigo começou no planalto, na estrada para a Lourinhã; este ataque foi apoiado por um grande corpo de cavalaria e foi levado a cabo com normal impetuosidade do exército francês. Este foi recebido prontamente pela brigada do Major-General Ferguson, que era formada pelo 56º, 40º e 71º. Regimentos, e este corpo atacou assim que o inimigo se aproximou, o que abriu caminho, e eles continuaram a avançar sobre o inimigo, apoiados pelo 82º, um dos corpos da brigada do Brigadeiro-Gerenral Nightingale, o que, à medida que o terreno se alargava formou uma primeira parte da primeira linha de batalha com o 29º Regimentoe as brigadas dos Brigadeiros-Generais Boves e Ackland: enquanto a brigada do Brigadero Craufurd e as tropas portuguesas, em duas linhas, avançavam ao longo do planalto do lado esquerdo. Durante o avanço da brigada do Major-General Ferguson foram tomados ao inimigo seis canhões, muitos prisioneiros e um grande número de mortos e feridos.

Posteriormente o inimigo fez uma tentativa para recuperar uma parte da sua artilharia, atacando os regimentos 71º e 82º, que se encontravam num vale onde esta tinha sido tomada. Estes regimentos movimentaram-se dos terrenos mais baixos do vale para os terrenos mais altos, onde se fixaram, virados para baixo, e dispraram e avançaram sobre o inimigo, que nessa altura tinha chegado ao terreno mais baixo, e obrigaram-no mais uma vez a retirar, provocando grandes perdas.

Nestas movimentações, em que toda a tropa francesa que estava em Portugal se encontrava envolvida, sob o comando do Duque de Abrantes em pessoa, nas quais o inimigo era sem dúvida superior em artilharia e cavalaria e nas quais estava envolvida não mais de metade das tropas britânicas, ele sofreu umasignificativa derrota e perdeu 13 canhões, 22 carroças de munições, com pólvora e cartuchos,mantimentos de todo o tipo e 20000 rondas de munições. Um oficial general francês (Berniere) foi ferido e feito prisioneiro, e muitos oficiais e soldados foram mortos, feridos e feitos prisioneiros.

(segue-se o louvor das tropas e dos oficiais).

Artur Wellesley

Retirado de "A Guerra Peninsular em Portugal, relatos britânicos". compilados por Maria Leonor Machado de Sousa, 2007, Caleidoscópio.

Para além desta mais informação em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Vimeiro

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