• Félix Rodrigues

Voltando à presença do bicho-pau nos Açores

Após a publicação de ontem recebemos vários contributos de leitores que referiam a sua presença em São Jorge, Pico, várias freguesias e locais da Terceira (São Sebastião, São Bento, Angra do Heroísmo e Terra-Chã) e vários locais de São Miguel (Lomba de São Pedro, Ponta Delgada, Rabo de Peixe e Nordeste).

Recebemos fotografias de novos bichos-pau da Terceira e de São Jorge.

Podemos agora afirmar que existe em Santa Maria, São Miguel, Terceira, São Jorge, Faial e Pico.

Aproveitamos a opinião do Engenheiro Nuno Bicudo da Ponte sobre esse inseto, por estar envolvido desde cedo no seu estudo.

A fotografia aqui utilizada é da Engenheira Adelaide Mendes.


"Este bicho-pau é o Carausius morosus ou bicho pau indiano. Não sei se estará dado para São Jorge, mas é possível, uma vez que existe nas ilhas mais próximas. Existe também em Santa Maria. Nos Açores temos duas espécies de bicho-pau, este da capa da publicação, bicho pau indiano e o francês, Clonopsis gallica com presença confirmada no Faial e São Miguel. A diferença entre ambos é que o bicho-pau indiano tem axilas avermelhadas nas patas dianteiras e antenas compridas. O francês, tem antenas curtas. O sucesso desta espécie e o motivo pelo qual cada vez se veem cada vez mais indivíduos, é por este inseto reproduzir-se por partnogénese e por colocar muitos ovos. A bibliografia refere que os machos são raros ou inexistentes e todos os ovos colocados pelas fêmeas são viáveis, não necessitando de um macho para os fecundar. São muito usados como animais de estimação. Tive 3 gerações de um bicho pau indiano, onde das várias plantas que colocava para comerem, tinha clara preferência por silvas e flores de camélias e rosas. Caso encontrem silvas com as folhas comidas é muito provável que seja um bicho pau. Se bem me lembro o ciclo de vida era de cerca de 6 meses, com os insetos a morrerem após colocarem muitos ovos. O indiano é mais comum cá do que o francês.

Só muito recentemente é que encontrei um francês. Estes insetos estão muito disseminados pelo mundo, pelo que podem não ter vindo diretamente do Brasil. Poderão ter chegado cá em estacas de rosas ou camélias de outras zonas do mundo por exemplo, inclusive oriundas do território continental português.

Os primeiros registos nos Açores começam a surgir em 2008."

Nuno Bicudo da Ponte.




Arranjo do texto de Félix Rodrigues


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